13/07/2026
O recorde histórico dos cartórios e o novo ritmo da sucessão patrimonial. 📜🏛️
Os cartórios brasileiros nunca registraram tantas doações de imóveis. Em 2025, foram lavradas mais de 185 mil escrituras públicas de doação — o maior número da série histórica, representando um salto de 59% em comparação a 2020.
Esse movimento expressivo não acontece por acaso. Ele reflete uma corrida contrarrelógio de famílias de alta renda para antecipar a transferência de patrimônio antes das mudanças definitivas do ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação) trazidas pela Reforma Tributária.
Por que o planejamento sucessório ganhou tanta urgência?
Alíquotas Progressivas: A reforma determinou que os estados devem obrigatoriamente adotar alíquotas progressivas — ou seja, quanto maior o patrimônio transferido, maior será a porcentagem do imposto.
Cálculo pelo Valor de Mercado: A base de cálculo do imposto passará a considerar o valor real de mercado dos bens, e não mais apenas os valores de referência patrimonial ou venal subestimados que muitos estados utilizam hoje.
A Janela de Oportunidade: Como os estados precisam regulamentar as leis locais para que passem a valer a partir de 2027, abriu-se uma janela crucial para aproveitar as regras vigentes e mitigar o impacto fiscal futuro.
Mais do que economia: busca por governança e previsibilidade
Esse recorde revela uma mudança profunda de comportamento no Brasil. A sucessão patrimonial deixou de ser um assunto tabu, tratado apenas após o falecimento, e passou a integrar o planejamento financeiro estratégico em vida.
Utilizar ferramentas como doações com reserva de usufruto e a constituição de holdings familiares vai muito além de reduzir a carga tributária: traz eficiência jurídica, evita conflitos familiares e garante a perenidade dos bens.
Como cada estado definirá suas alíquotas de forma independente respeitando a anterioridade anual, o impacto será assimétrico pelo país. Mapear o cenário e antecipar a estratégia é o que separa a preservação de patrimônio da perda de liquidez futura.
Sua estrutura familiar e patrimonial já está preparada para as regras de transição da reforma ou você ainda está contando com o modelo tradicional de inventário?