29/09/2026
Brasil é assim.
Nós, da classe contábil, chegamos ao mês do nosso aniversário trabalhando como loucos. Corremos contra o tempo, cobramos documentos, fazemos verdadeiro “terrorismo” com os clientes, apertamos o fluxo de caixa das empresas e orientamos nossos clientes a regularizarem seus débitos dentro dos prazos estabelecidos para garantir a opção pelo Simples Nacional.
Tudo isso porque a lei e os prazos precisam ser cumpridos.
E aí, quando estamos no limite, vem o Governo Federal e prorroga os prazos.
É claro que, para as empresas que não conseguiram se regularizar, a prorrogação representa um fôlego importante. Isso é positivo para quem precisava de mais tempo.
Mas f**a uma pergunta: e todo o trabalho realizado pela classe contábil até então?
Quantos empresários correram para conseguir dinheiro, parcelaram débitos, sacrif**aram o fluxo de caixa e fizeram esforços justamente porque acreditaram que o prazo estabelecido seria cumprido?
O problema não é simplesmente prorrogar. O problema é a falta de previsibilidade.
Nós, contadores, precisamos orientar nossos clientes com base na legislação vigente. Precisamos cobrar prazos, tomar decisões e assumir responsabilidades. O empresário também precisa se organizar para cumprir aquilo que a lei determina.
Mas, quando o próprio Governo altera as regras no meio do caminho, todo esse planejamento perde sentido.
No final, f**a aquela sensação que infelizmente já conhecemos bem:
Para o empresário, para o contador e para o cidadão, a obrigação é cumprir a lei. Para o Governo, parece que o prazo é apenas uma sugestão.
Isso precisa mudar.
Mais do que qualquer benefício pontual, o Brasil precisa de segurança jurídica, previsibilidade e respeito por quem trabalha e cumpre suas obrigações.