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CEO e guardião da cultura nas empresasQuando o executivo assume a liderança cultural de forma deliberada, engajando com ...
23/10/2026

CEO e guardião da cultura nas empresas
Quando o executivo assume a liderança cultural de forma deliberada, engajando com críticas e ouvindo opiniões divergentes, ele fortalece a retenção de talentos e impulsiona resultados sustentáveis
Autor: Edson Alves
Fonte: RH Pra VocÊ
Link: https://rhpravoce.com.br/colab/ceo-e-guardiao-da-cultura-nas-empresas

A figura do CEO e guardião da cultura nas empresas tornou-se decisiva em tempos de crise de confiança nas instituições. Quando o executivo assume a liderança cultural de forma deliberada, engajando com críticas e ouvindo opiniões divergentes, ele fortalece a retenção de talentos e impulsiona resultados sustentáveis.

O cargo que todo CEO também exerce sem saber: o de guardião da cultura

Ninguém me contratou, formalmente, para ser o guardião da cultura da empresa que lidero. Meu contrato fala de resultado, de estratégia, de prestação de contas. Mas há um cargo que todo CEO ocupa independentemente do que está escrito nesse contrato e, os dados mais recentes sobre confiança no mundo corporativo deixam isso bastante claro: quando a confiança nas instituições tradicionais desaba, é para a figura do CEO que as pessoas dentro da empresa olham primeiro.
O papel do CEO e guardião da cultura nas empresas em tempos de insularidade

O Edelman Trust Barometer 2026, uma das pesquisas globais mais reconhecidas sobre confiança em instituições, aponta 2026 como o ano da “insularidade”: um período em que as pessoas tendem a confiar menos em quem possui opiniões ou visões diferentes das suas e passam a depositar mais confiança em grupos próximos, como familiares, amigos e comunidades com as quais se identificam.

Governos perderam credibilidade, e parte da mídia também enfrenta uma crise de confiança. Em meio a esse cenário de fragmentação, um dado chama atenção: a confiança nas relações mais próximas do indivíduo — como vizinhos, colegas de trabalho e até mesmo na figura do próprio CEO apresentou crescimento. As pessoas estão buscando referências em quem percebem como mais próximo, acessível e conectado à sua realidade.

No Brasil, esse padrão aparece com ainda mais força. "Meu empregador" é hoje confiado por 80% dos funcionários brasileiros, e "as empresas", de forma geral, por 67% da população, números superiores aos registrados por governo e mídia. Entre as pessoas com mentalidade mais insular, o dado é ainda mais revelador: praticamente a única instituição em que ainda confiam é justamente "meu CEO".

Não escolhi esse posto. Ele foi me atribuído pelos dados e, naturalmente, pelas pessoas que trabalham comigo todos os dias.

A lacuna entre o que se espera e o que se entrega

Se a confiança no CEO é alta, a cobrança por usá-la bem é proporcional e, é aí que o dado mais desconfortável do estudo aparece. Globalmente, 73% das pessoas acreditam que CEOs têm a obrigação de ajudar a construir pontes e reduzir divisões dentro e fora da empresa. Mas apenas 44% acreditam que os CEOs estão, de fato, cumprindo esse papel bem, uma lacuna de 29 pontos percentuais entre expectativa e entrega. No Brasil, o padrão se repete: 70% dos funcionários acreditam que seus empregadores têm essa obrigação, mas só 47% acham que ela está sendo cumprida de forma eficaz.

Essa lacuna é o retrato mais honesto do que significa "exercer um cargo sem saber". A maioria de nós, CEOs, já foi investida dessa responsabilidade pelas próprias pessoas que lidera, só que ainda não percebeu, ou não agiu de acordo com ela.

O que realmente constrói confiança segundo os dados

O mesmo estudo identifica, com uma precisão incomum para esse tipo de pesquisa, quais comportamentos específicos de liderança de fato constroem confiança. Os dois mais eficazes, segundo os entrevistados: consultar pessoas de diferentes perfis e origens antes de tomar uma decisão importante, e engajar de forma construtiva com críticos e céticos, ouvir quem discorda, em vez de evitar essa conversa.

Vai além de discursos institucionais bem elaborados, murais de valores ou comunicados trimestrais sobre cultura. Trata-se de um padrão de comportamento construído e reproduzido a cada decisão: quem participa das escolhas antes que elas sejam tomadas e, principalmente, como a organização reage diante de quem questiona caminhos já definidos.
Por que a cultura é uma prioridade estratégica e não apenas institucional

É tentador tratar "cultura" como um tema de RH, desconectado do resultado que meu cargo formal cobra de mim. Os números dizem o contrário. Pesquisas de engajamento mostram, de forma consistente, que a maior parte da variação no engajamento de uma equipe pode ser atribuída à qualidade da liderança direta, não à empresa como abstração. E a liderança direta, em qualquer organização, segue o padrão de comportamento que vê no topo. Cultura não desce por comunicado. Desce por exemplo.

O custo de ignorar essa responsabilidade também não é mais abstrato. Em um momento em que mais de 85% dos empregadores relatam dificuldade real para encontrar profissionais com as competências necessárias, perder gente boa por uma cultura de confiança mal cuidada deixou de ser um problema "de clima" para virar um problema de capacidade de crescer. Com a contratação de talentos cada vez mais desafiadora, a retenção se tornou uma prioridade estratégica. E, para manter profissionais engajados no longo prazo, a confiança passou a ser um dos principais pilares dessa relação.
Um cargo que já é meu, quer eu tenha assinado ou não

Depois de olhar esses números, cheguei a uma conclusão simples: a pergunta nunca foi se eu ia ocupar esse cargo de guardião da cultura. Os dados mostram que eu já ocupo, pelo simples fato de ser CEO, numa época em que as pessoas confiam menos nas instituições e mais em quem está perto. A única pergunta real é se vou exercer esse papel de forma deliberada, consultando quem pensa diferente de mim e engajando com quem discorda ou se vou deixá-lo acontecer por omissão, enquanto a lacuna entre o que esperam de mim e o que entrego continua crescendo.

Resultado financeiro ainda é, e sempre será, parte do meu trabalho. Mas os dados deste ano deixam claro que ele não é mais o trabalho inteiro. A outra metade do cargo já estava lá, esperando para ser assumida, com ou sem a minha permissão.

A figura do CEO e guardião da cultura nas empresas tornou-se decisiva em tempos de crise de confiança nas instituições. Quando o executivo assume a liderança cultural de forma deliberada, engajando...

É possível perceber uma crise financeira antes que ela apareça no caixa? O risco de ignorar os sinais invisíveis da empr...
22/10/2026

É possível perceber uma crise financeira antes que ela apareça no caixa? O risco de ignorar os sinais invisíveis da empresa
O caixa é frequentemente o lugar onde a crise se torna visível, não necessariamente onde ela nasce
Autor: Northon Salomão de Oliveira
Fonte: Administradores
Link: https://www.administradores.com.br/artigos/e-possivel-perceber-uma-crise-financeira-antes-que-ela-apareca-no-caixa-o-risco-de-ignorar-os-sinais-invisiveis-da-empresa

Uma crise financeira raramente começa no dia em que falta dinheiro na conta bancária. Quando o caixa finalmente revela o problema, muitas vezes a deterioração já ocorreu em vendas, margens, capital de giro, endividamento, inadimplência, estoques e capacidade de geração operacional. O caixa é frequentemente o lugar onde a crise se torna visível, não necessariamente onde ela nasce.

Para administradores e gestores, essa distinção é decisiva. Uma empresa pode apresentar lucro contábil e, simultaneamente, aproximar-se de uma situação de estresse financeiro. Também pode possuir caixa momentaneamente confortável enquanto sua estrutura econômica perde capacidade de sustentar as obrigações futuras. A questão estratégica, portanto, não é apenas saber quanto dinheiro existe hoje, mas compreender qual trajetória está produzindo esse dinheiro.

A crise financeira começa antes do caixa

A contabilidade empresarial trabalha com fenômenos que não coincidem temporalmente com os movimentos financeiros. Receita, despesa, recebimento, pagamento, depreciação, provisões, estoques e créditos a receber obedecem a lógicas distintas.

É exatamente nessa defasagem que pode surgir uma espécie de zona de invisibilidade gerencial.

Uma empresa pode aumentar suas vendas e, ainda assim, deteriorar sua liquidez se vender com prazos cada vez maiores, enquanto fornecedores exigem pagamentos mais rápidos. Pode apresentar crescimento de receita e simultaneamente consumir caixa. Pode ampliar estoques para sustentar expansão comercial e transformar capital circulante em mercadoria de baixa rotatividade.

O problema não está necessariamente no crescimento. Está na qualidade financeira do crescimento.

A Lei nº 6.404/1976 estabelece a necessidade de demonstrações financeiras capazes de revelar a situação patrimonial e os resultados da companhia, enquanto o CPC 03 disciplina a demonstração dos fluxos de caixa. A racionalidade dessas normas ultrapassa a mera escrituração: informação financeira adequada permite observar a diferença entre resultado econômico e capacidade efetiva de geração de caixa.

Essa diferença deveria ocupar posição central na governança.

Lucro não é liquidez

O erro gerencial mais perigoso talvez seja tratar lucro como sinônimo de dinheiro disponível.

Imagine uma empresa que venda R$ 10 milhões em determinado período, mas receba apenas parte significativa desse valor posteriormente. No resultado, a operação pode parecer excelente. Na tesouraria, entretanto, salários, tributos, fornecedores, financiamentos e demais obrigações continuam vencendo.

A empresa pode estar economicamente lucrativa e financeiramente pressionada.

O fenômeno torna-se ainda mais importante quando analisado pela dinâmica do capital de giro. Alterações persistentes em contas a receber, estoques e fornecedores podem revelar uma deterioração que o resultado líquido ainda não demonstra claramente.

Por isso, o administrador deveria observar não apenas o tamanho do caixa, mas a relação entre:

– crescimento da receita e crescimento das contas a receber;

– vendas e geração operacional de caixa;

– estoques e velocidade de sua conversão;

– prazo médio de recebimento e prazo médio de pagamento;

– dívida e capacidade de geração de recursos;

– margem operacional e necessidade de capital de giro;

– resultado contábil e fluxo de caixa operacional.

Não existe indicador isolado capaz de diagnosticar toda crise. O que importa é a coerência temporal entre os indicadores.

O paradoxo do crescimento

Uma das situações mais perigosas para uma organização é crescer mais rapidamente do que consegue financiar.

O crescimento exige recursos. Mais vendas podem exigir mais estoque, mais crédito concedido aos clientes, maior estrutura operacional e maior necessidade de financiamento. Se o ciclo financeiro se alonga, cada unidade adicional de receita pode consumir caixa antes de produzi-lo.

Surge então um paradoxo: a empresa cresce justamente enquanto sua liquidez se deteriora.

É possível formular uma regra estratégica a partir dessa dinâmica: crescimento sem capacidade de financiar o ciclo operacional pode transformar expansão em mecanismo de insolvência.

A Administração, portanto, não deveria perguntar apenas “quanto estamos crescendo?”, mas também “quanto caixa adicional esse crescimento exige e quando esse caixa retornará?”.

A dimensão comportamental da crise

A dificuldade não é apenas financeira. É também cognitiva.

Gestores podem interpretar sinais positivos isolados como evidência de saúde estrutural. Uma grande venda, um novo contrato ou uma expansão da carteira de clientes pode produzir confiança justamente quando outros indicadores apontam deterioração.

A economia comportamental ajuda a compreender esse fenômeno por meio de vieses como excesso de confiança, ancoragem e viés de confirmação. A organização pode passar a selecionar informações compatíveis com a narrativa de crescimento e desconsiderar evidências que contradigam essa narrativa.

O problema torna-se institucional quando a cultura empresarial recompensa exclusivamente expansão de receita.

Nesse ambiente, admitir deterioração de margem, aumento da inadimplência ou dependência crescente de capital de terceiros pode ser interpretado como pessimismo, quando deveria ser tratado como informação de governança.

A crise financeira, nesse sentido, pode ser também uma crise de percepção.

Tese e antítese: prever ou reagir?

A tese tradicional da gestão financeira poderia sustentar que a melhor maneira de administrar uma crise é acompanhar o caixa e estabelecer reservas suficientes para suportar períodos adversos. Essa perspectiva possui mérito: sem liquidez, a empresa não consegue cumprir suas obrigações, independentemente de sua rentabilidade projetada.

A antítese é igualmente relevante. Quando o caixa se torna o principal instrumento de diagnóstico, a organização pode estar observando o fenômeno tarde demais. O dinheiro disponível é uma fotografia; a estrutura que produz ou consome esse dinheiro é um filme.

A síntese está justamente na combinação das duas perspectivas.

Não se trata de substituir o acompanhamento do caixa por indicadores contábeis. Trata-se de integrar liquidez atual, geração operacional, capital de giro, estrutura de capital e projeção de obrigações futuras.

É nessa integração que surge uma capacidade superior de governança: a possibilidade de detectar uma crise enquanto ela ainda é administrável.

Como bem aponta Northon Salomão de Oliveira: “A crise financeira raramente começa quando o dinheiro termina; ela começa quando a organização perde, sem perceber, a capacidade de transformar sua atividade econômica em liquidez sustentável.”

Quais sinais deveriam acender o alerta?

Uma organização deveria aprofundar sua análise quando diferentes sinais começarem a convergir, especialmente:

– crescimento persistente das contas a receber sem correspondente expansão do caixa;

– aumento de estoques sem crescimento proporcional das vendas;

– redução continuada das margens;

– necessidade crescente de antecipação de recebíveis;

– utilização recorrente de crédito para financiar despesas operacionais ordinárias;

– concentração excessiva de receitas em poucos clientes;

– alongamento sistemático de pagamentos a fornecedores;

– aumento da inadimplência;

– deterioração do fluxo de caixa operacional;

– crescimento da dívida mais rápido que a capacidade operacional de geração de recursos.

Nenhum desses fatores, isoladamente, significa insolvência. O sinal relevante está na combinação, na persistência e na direção da tendência.

O que a governança deve fazer antes da crise

A prevenção exige transformar informação financeira em processo decisório.

O conselho de administração, a diretoria financeira, a controladoria e a área de gestão de riscos não deveriam receber apenas fotografias mensais do patrimônio. Precisam compreender a trajetória de liquidez.

Um sistema de prevenção razoavelmente robusto deveria:

1. projetar entradas e saídas de caixa em diferentes horizontes;

2. acompanhar sistematicamente o fluxo de caixa operacional;

3. monitorar capital de giro e ciclo financeiro;

4. comparar orçamento, realizado e tendência;

5. estabelecer cenários adversos;

6. identificar antecipadamente obrigações concentradas no tempo;

7. testar a dependência de crédito e refinanciamento;

8. definir gatilhos objetivos para intervenção gerencial.

O objetivo não é prever o futuro com precisão matemática. É reduzir a surpresa.

Nesse ponto, a gestão financeira aproxima-se da gestão de riscos. Uma organização madura não pergunta apenas se determinado evento ocorrerá, mas qual será sua capacidade de absorver o evento caso ocorra.

A questão jurídica: quando o problema econômico se transforma em crise empresarial?

A dimensão jurídica torna-se particularmente importante quando a deterioração financeira compromete o cumprimento das obrigações.

A Lei nº 11.101/2005, ao disciplinar recuperação judicial, recuperação extrajudicial e falência, trata a crise empresarial como fenômeno juridicamente relevante. A recuperação judicial, em especial, parte da existência de uma situação econômico-financeira que pode comprometer a atividade empresarial e cuja superação pode justificar a preservação da empresa.

Isso demonstra algo importante para a Administração: a crise financeira não é apenas um problema do departamento financeiro.

Quando a deterioração alcança contratos, empregados, fornecedores, credores, tributos, consumidores e financiadores, ela transforma-se em problema jurídico, econômico e institucional.

Esperar a ruptura para então consultar o jurídico significa frequentemente reduzir o espaço de alternativas disponíveis.

A assessoria jurídica estratégica deve participar antes do ponto de ruptura, contribuindo para análise contratual, estruturação de operações, renegociação de obrigações, gestão de garantias, governança de riscos e avaliação das consequências jurídicas de diferentes cenários.

Uma hipótese simples de gestão

Considere uma empresa hipotética que apresenta crescimento anual das vendas, lucro positivo e aumento de participação de mercado. Entretanto, simultaneamente, o prazo médio de recebimento aumenta, os estoques crescem acima das vendas e a empresa passa a recorrer repetidamente a crédito bancário para financiar despesas correntes.

O balanço narrativo diz “crescimento”.

O caixa começa a dizer outra coisa.

Uma administração orientada apenas pelo resultado pode concluir que a empresa está saudável. Uma administração orientada por risco perguntará por que o crescimento exige financiamento crescente.

Essa pergunta muda a decisão.

Pode revelar deterioração de crédito dos clientes, política comercial excessivamente permissiva, estoque mal dimensionado, margem insuficiente ou estrutura de capital inadequada. Também pode revelar simplesmente uma fase temporária de expansão que possui fundamento econômico sólido.

A diferença entre essas hipóteses não está no tamanho do caixa de hoje. Está na qualidade da investigação.

A crise como fenômeno de trajetória

O conceito mais útil, portanto, talvez não seja “previsão de crise”, mas detecção de trajetória financeira.

Prever significa tentar saber antecipadamente o acontecimento. Detectar uma trajetória significa observar alterações persistentes que aumentam ou diminuem a probabilidade de determinado resultado.

Essa distinção possui consequência administrativa importante.

O gestor não precisa saber exatamente quando ocorrerá uma crise para agir. Precisa reconhecer que determinadas combinações de indicadores estão reduzindo a margem de segurança da organização.

A boa governança trabalha justamente nesse intervalo entre o sinal e o evento.

É nele que ainda existem alternativas: renegociar, reduzir custos, corrigir políticas comerciais, rever estoques, melhorar cobrança, reestruturar dívida, ajustar investimentos, preservar liquidez ou modificar o ritmo de expansão.

Depois que o caixa acaba, muitas dessas alternativas tornam-se mais caras, mais difíceis ou juridicamente mais complexas.

Conclusão

Sim, é possível perceber uma crise financeira antes que ela apareça no caixa, mas isso exige abandonar uma visão exclusivamente retrospectiva da gestão financeira.

A organização precisa observar o sistema que produz o caixa: vendas, margens, recebimentos, estoques, fornecedores, dívida, capital de giro, comportamento dos clientes e capacidade operacional de geração de recursos.

O verdadeiro indicador de saúde empresarial não é simplesmente possuir dinheiro hoje. É possuir uma estrutura econômica capaz de continuar produzindo liquidez amanhã.

Para a Administração, essa mudança de perspectiva é estratégica. O caixa continua sendo indispensável, mas deixa de ser tratado como oráculo. Ele passa a ser uma das últimas manifestações de uma dinâmica que começou muito antes.

A empresa financeiramente madura não espera a falta de dinheiro para descobrir que estava em crise. Ela procura, nos movimentos silenciosos de sua operação, os primeiros sinais de que sua capacidade de transformar atividade econômica em liquidez está começando a desaparecer.

Uma crise financeira raramente começa no dia em que falta dinheiro na conta bancária. Quando o caixa finalmente revela o problema, muitas vezes a deterioração já ocorreu em vendas, margens, capital de giro, endividamento, inadimplência, estoques e capacidade de geração operacional. O caixa ....

21/10/2026

Foi divulgado a Emenda Constitucional de nº 141 onde prevê a redução gradual da jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, sem redução salarial, e a ampliação do descanso semanal para dois dias.

É importante destacar que a aprovação ainda não significa que as empresas devem alterar suas escalas imediatamente, pois a redução na jornada será de forma gradual.

Sendo:

A partir de 16/12/2026: O limite semanal de jornada será reduzido de 44 para 42 horas, com adoção da escala 5x2 e sem redução salarial.

A partir de 16/12/2027: O limite da jornada será de 40 horas semanais, com descanso semanal de dois dias por semana.

Nossa orientação é que, neste momento, não sejam realizadas alterações precipitadas nas jornadas ou escalas.

O mais adequado é que as empresas comecem desde já a se organizar e planejar as adequações necessárias, para que, nas datas previstas, as reduções de jornada sejam implementadas de forma planejada e segura.

Antecipar essa análise permitirá que as empresas tenham mais tempo para revisar escalas, turnos, jornadas e custos operacionais, reduzindo o risco de ajustes emergenciais e de impactos inesperados na operação.

WhatsApp Business é gratuito? Veja quando o empreendedor pode ter custosAplicativo oferece recursos para pequenos negóci...
20/10/2026

WhatsApp Business é gratuito? Veja quando o empreendedor pode ter custos
Aplicativo oferece recursos para pequenos negócios sem cobrança, mas mensagens comerciais e soluções de automação na plataforma oficial podem ser tarifadas
Autor: Melina Dias
Fonte: DC - Diário do Comércio
Link: https://dcomercio.com.br/publicacao/s/whatsapp-business-e-gratuito-veja-quando-o-empreendedor-pode-ter-custos

Aplicativo oferece recursos para pequenos negócios sem cobrança, mas mensagens comerciais e soluções de automação na plataforma oficial podem ser tarifadas, segundo Guilherme Horn, head do WhatsApp, na FE2026 do Sebrae-SP, que explicou como automatizar o atendimento sem perder a proximidade com o cliente.

O WhatsApp Business oferece recursos gratuitos para pequenos negócios, mas o uso de ferramentas de comunicação em escala e de soluções de automação pode gerar custos. A diferença entre o aplicativo para celular e a plataforma voltada a operações maiores foi um dos temas da palestra “Escalando seu negócio com agentes de IA no WhatsApp”, apresentada nesta segunda-feira (19/10) por Guilherme Horn, head do WhatsApp para a Índia, Indonésia e Brasil, na Feira do Empreendedor 2026.

Realizado pelo Sebrae-SP, o evento, realizado no São Paulo Expo, na Capital paulista, chega à sua 15ª edição, reúne cerca de 900 expositores e espera receber mais de 100 mil visitantes até quinta-feira (22/10).

Na Arena do Conhecimento, Horn mostrou como a nova ferramenta de agentes de inteligência artificial no WhatsApp pode auxiliar o empreendedor a ganhar tempo para focar na estratégia do negócio. A proposta é automatizar o atendimento inicial, responder dúvidas frequentes, qualificar leads e organizar pedidos, mantendo o estilo de atendimento de cada empresa e assumindo parte das interações iniciais com os consumidores.

Afinal, o WhatsApp Business é de graça?

A palestra levantou uma dúvida comum entre os pequenos negócios presentes: o uso da ferramenta é gratuito?

O WhatsApp Business, em sua versão de aplicativo para celular, é 100% gratuito para baixar e usar. O empreendedor pode criar perfil comercial com catálogo de produtos, endereço, horário, site, além de usar recursos como etiquetas de clientes, mensagens de saudação, ausência e respostas rápidas. O uso no computador, via WhatsApp Web, também não tem custo.

O que é cobrado é outro modelo: o WhatsApp Business Platform (API). Desde 2023, a Meta cobra por conversas quando a empresa passa a atuar em larga escala.

Entram nessa cobrança o envio de mensagens em massa, campanhas de marketing, notificações automáticas, integração com CRM, sites e chatbots com agentes de IA - justamente o tipo de recurso apresentado por Horn para empresas que já atendem um volume maior de clientes.

Nesse modelo, a cobrança é feita por conversa, com valores que variam conforme o país e o tipo de mensagem: marketing, utilidade, autenticação ou serviço.

Na prática, o micro e pequeno empreendedor que usa apenas o app no celular para atender, enviar orçamentos e divulgar produtos segue operando de forma gratuita. A cobrança só começa quando o negócio precisa de automação avançada e envios em volume, migrando do aplicativo para a API oficial.

Desde outubro de 2026, mensagens de atendimento também podem ser cobradas após o limite mensal gratuito previsto pela Meta. Por isso, empresas que utilizam a plataforma precisam verificar as condições vigentes e os preços aplicáveis à sua operação. O uso de agentes de IA também pode envolver custos adicionais, dependendo da solução escolhida, do fornecedor e do modelo de cobrança.

Em resumo, o empreendedor que utiliza apenas o aplicativo para conversar com clientes, enviar orçamentos e apresentar produtos pode continuar usando os recursos básicos gratuitamente. Já negócios que precisam integrar sistemas, ampliar o volume de mensagens ou automatizar etapas do atendimento devem avaliar os custos antes de contratar uma solução, destacou Horn.

Serviço

Feira do Empreendedor 2026 - FE26
Data: 19 a 22 de outubro, das 10h às 20h
Local: São Paulo Expo - Rodovia dos Imigrantes, km 1,5, Vila Água Funda - São Paulo
Entrada gratuita mediante inscrição: http://feiradoempreendedor.sebraesp.com.br

Feira do Empreendedor 2026 Sebrae - De 19/10/2026 a 22/10/2026 - Evento 100% gratuito

Mercado vê possibilidade de queda de juros acelerada com compromisso fiscalAjuste nas contas públicas a partir de 2027, ...
19/10/2026

Mercado vê possibilidade de queda de juros acelerada com compromisso fiscal
Ajuste nas contas públicas a partir de 2027, desaceleração da economia e melhora do câmbio podem abrir espaço para cortes maiores da Selic, mas aceleração ainda não é o cenário-base da maioria dos economistas
Autor: Beatriz Oliveira e João Nakamura
Fonte: CNN Brasil
Link: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/mercado/mercado-ve-possibilidade-de-queda-de-juros-acelerada-com-compromisso-fiscal/

A possibilidade de um ajuste fiscal a partir de 2027, combinada à desaceleração da economia brasileira e à melhora recente do câmbio, pode abrir espaço para uma queda mais acelerada da taxa básica de juros do país, a Selic.

Apesar disso, a aceleração dos cortes não é o cenário-base da maioria dos economistas consultados pelo CNN Money, que condicionam uma mudança no ritmo à melhora consistente das expectativas de inflação e à adoção de medidas concretas para equilibrar as contas públicas.

Após o primeiro turno, as taxas futuras médias e longas recuaram mais de 100 pontos-base, segundo Elisa Machado, economista-chefe da KAT Investimentos, um dos principais escritórios do Safra.

"O fator principal foi a leitura de maior probabilidade de mudança de orientação na política econômica em 2027, com expectativa de ajuste fiscal. A continuidade, porém, depende de confirmação: resultado do 2º turno, sinalizações concretas de política fiscal e os próximos IPCAs", avaliou a especialista ao CNN Money.

Há cinco reuniões, o Copom vem conduzindo um ciclo de calibragem da política monetária, com cortes de 0,25 ponto percentual em cada decisão. Com isso, a Selic chegou aos atuais 13,75% ao ano.

O cenário-base do mercado é de que a taxa básica de juros encerre 2026 em 13,25%, segundo o boletim Focus, do Banco Central. A projeção indica mais dois cortes de 0,25 ponto percentual até o fim do ano. Para 2027, a expectativa é de que a Selic termine o período em 12%.

O economista para o Brasil do Morgan Stanley, Thiago Machado, ressaltou que a expectativa de consolidação fiscal pode favorecer os ativos brasileiros, mas, sem avanços nessa direção, "o espaço para uma queda adicional das taxas de juros futuros tende a ser mais limitado".

Além da questão fiscal, economistas apontam a desaceleração da atividade econômica, a evolução das expectativas de inflação e o comportamento do câmbio como fatores determinantes para as próximas decisões do Copom (Comitê de Política Monetária).

Uma valorização persistente do real pode contribuir para reduzir as pressões inflacionárias, enquanto uma desaceleração mais intensa da economia tende a limitar a demanda por bens e serviços.

"Para que o Copom considere uma aceleração do ritmo de cortes, seria importante observar uma desaceleração mais clara da inflação de serviços, sobretudo nos segmentos mais sensíveis ao mercado de trabalho, além de avanços mais consistentes na reancoragem das expectativas de inflação", explicou Leandro Padulla, economista do ASA.

O cenário inflacionário, contudo, ainda impõe cautela. No relatório de política monetária divulgado em setembro, o Banco Central manteve a projeção de inflação em 3,2% para o primeiro trimestre de 2028, considerado o horizonte relevante para a política monetária.

Para 2027, a estimativa para o IPCA no quarto trimestre subiu de 3,7% para 3,9%.

"O IPCA de setembro (avanço de 0,82%) veio bem acima do esperado (alta de 0,60%), puxado por energia elétrica, mas com aceleração das principais medidas de núcleo", destacou a economista-chefe da KAT Investimentos.

Para Machado, os dados reduzem o espaço para uma aceleração dos cortes no curto prazo. Ela considera um corte de 0,50 ponto percentual uma possibilidade alternativa, condicionada a uma combinação de sinalização fiscal clara, câmbio favorável e atividade econômica mais fraca.

O economista do ASA também não vê elementos suficientes para mudar a estratégia atual. Para Padulla, a melhora das expectativas de inflação em horizontes mais longos ainda é tímida, enquanto a inflação de serviços permanece resiliente.

Ele acrescenta que "tanto riscos associados a uma combinação de políticas econômicas externas e internas com impacto inflacionário maior que o esperado, quanto a adoção de estímulos à demanda agregada que façam a atividade crescer acima do produto potencial" podem dificultar a convergência da inflação à meta.

A perda de fôlego da atividade econômica, por outro lado, pode contribuir para uma flexibilização monetária mais rápida. Dados recentes de varejo, indústria e serviços apontam para uma desaceleração, embora o mercado de trabalho aquecido ainda sustente a demanda doméstica.

Rodolfo Margato, economista da XP, projeta estabilidade do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro no segundo semestre de 2026. O indicador de alta frequência da instituição aponta para uma queda de 0,1% no terceiro trimestre, seguida de crescimento de 0,1% no quarto, na comparação com os trimestres imediatamente anteriores. A projeção da casa é de expansão de 1,7% no ano.

Já o head de macroeconomia do Santander, Marco Antonio Caruso, avalia que os efeitos defasados dos juros elevados sobre crédito, consumo e emprego representam riscos para o crescimento, embora ainda não justifiquem uma revisão de cenário.

Entre as instituições consultadas, predomina a expectativa de continuidade dos cortes em ritmo gradual, embora haja divergências sobre a trajetória da Selic em 2027. O Santander mantém uma perspectiva de flexibilização gradual, com Selic em 12,50% ao final de 2027.

"Reconhecemos que a melhora do câmbio e o início das reduções de projeções de inflação longa aumentaram o espaço para uma trajetória de juros mais baixa. Mas precisaríamos observar essa combinação por mais tempo antes de incorporar uma aceleração como cenário central", avalia Caruso.

O Morgan Stanley prevê reduções de 0,25 ponto percentual em todas as reuniões do próximo ano, levando a taxa a 11,25% em dezembro.

O ASA também projeta cortes de 0,25 ponto nas cinco primeiras reuniões de 2027, com a Selic em 12% ao final do ciclo.

Já a XP apresenta um cenário mais favorável à aceleração. A instituição projeta cortes de 0,25 ponto percentual nas reuniões de novembro e dezembro deste ano e em janeiro de 2027, seguidos por reduções de 0,50 ponto a partir de março.

A possibilidade de cortes maiores, portanto, permanece no radar, mas ainda depende de uma combinação de fatores favoráveis. Para os especialista, um programa fiscal crível, a valorização sustentada do real e a melhora das expectativas de inflação podem abrir espaço para uma flexibilização mais rápida.

Ajuste nas contas públicas a partir de 2027, desaceleração da economia e melhora do câmbio podem abrir espaço para cortes maiores da Selic, mas aceleração ainda não é o cenário-base da maioria dos economistas

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